quinta-feira, 2 de julho de 2009

Cada vez mais vigiado, Google alega que não é tão grande

Miguel Helft
 
O Google responde por cerca de dois terços do total de buscas realizadas na internet. Controla o maior dos sites de vídeo, o YouTube, cuja popularidade supera em mais de 10 vezes a de seu concorrente mais próximo. E, no ano passado, a empresa faturou quase US$ 22 bilhões com publicidade, valor superior ao de qualquer outra empresa mundial no ramo da mídia. Dadas todas essas riquezas, e muitas outras, como é que se pode considerar o Google uma empresa relativamente pequena, vulnerável à competição e sujeita a viradas radicais de destino a qualquer momento? Dana Wagner não demora em oferecer sua explicação.
 
» Pior da crise já passou, diz presidente do Google
» Dimensão de prejuízo do YouTube é desconhecida
» EUA investigam Google por acordo para digitalização de livros
 
Wagner, que é diretor jurídico do Google para assuntos de concorrência, enfrenta a hercúlea tarefa de convencer o mundo de que a empresa para a qual trabalha está longe de ocupar posição inabalável. "A concorrência está a apenas um clique de distância", alega Wagner.
 
A frase é parte de um discurso de campanha que ele já pronunciou no Vale do Silício, em Nova York e em Washington, repetindo a mesma ladainha nos últimos meses diante de jornalistas, estudiosos de questões jurídicas assessores do Congresso, organizações setoriais e qualquer outra pessoa ou órgão que possa influenciar a opinião pública com relação ao Google. "Participamos de um setor que está sempre sujeito a perturbações, e não podemos considerar nada como permanente ou garantido", ele afirma.
 
O Google iniciou essa ofensiva de relações públicas porque está em meio a um traiçoeiro rito de passagem que as empresas de tecnologia poderosas sempre precisam enfrentar: as autoridades regulatórias agora observam com atenção todos os seus movimentos, como fizeram no passado com companhias como a AT&T, IBM, Intel e Microsoft. Alguns analistas afirmam que a oposição do governo, nos Estados Unidos ou na Europa, pode representar maior ameaça ao sucesso continuado do Google do que as ações de qualquer concorrente empresarial.
 
O Departamento da Justiça dos Estados Unidos torpedeou uma importante parceria que deveria ter entrado em vigor entre o Google e o Yahoo, em novembro, devido a preocupações de que ela poderia cimentar o domínio do Google sobre o mercado e restringir a competição. O departamento também está examinando as práticas de contratação do Google e de outras empresas de tecnologia, e investigando o acordo extrajudicial que pôs fim a um processo judicial coletivo entre o Google e organizações que representam escritores e editoras norte-americanos. A Comissão Federal do Comércio está avaliando as conexões que existem entre os integrantes dos conselhos do Google e da Apple.
 
Nenhuma dessas investigações têm por alvo a publicidade, que serve como núcleo das operações do Google. E ao contrário de alguns gigantes da tecnologia no passado, o Google até agora não foi acusado de utilizar táticas prejudiciais aos concorrentes. Mas as investigações e as queixas dos competidores e críticos forçam a empresa a se esforçar para negar a ideia de que tem o mercado sob controle, ainda que sua parcela das transações de publicidade vinculada a buscas não pare de crescer.
 
Muita gente não se conforma, especialmente diante da alegação de que o Google é uma empresa relativamente pequena em um mercado gigantesco. "Eles descrevem a situação que vivem no mercado com uma espécie de aura de conto de fadas que não reflete o domínio que exercem sobre setores chave", disse Jeff Chester, diretor executivo do Centro pela Democracia Digital. "As buscas do Google são um instrumento de publicidade obrigatório para todos os anunciantes do mundo".
 
A Microsoft prefere não comentar sobre os esforços de seu maior rival. Mas durante uma apresentação de Wagner a jornalistas, em San Francisco, no mês passado, representantes do departamento de relações públicas da Microsoft, que conheciam com antecedência o conteúdo da fala de Wagner, estavam enviando e-mails a repórteres nos quais refutavam alguns dos principais argumentos do palestrante, que teve de responder a uma série de perguntas rabugentas.
 
A preocupação do mercado quanto ao poder que o Google veio a adquirir não é novidade. Mas alguns especialistas afirmam que a sequência de manchetes sobre investigações antitruste pode macular a imagem do Google junto aos consumidores, que em geral ainda consideram a empresa, e sua lista crescente de serviços online gratuitos e inovadores, de maneira positiva.
 
"Nenhuma empresa, quer se trate do Google, da Microsoft ou de qualquer outra companhia, deseja ser retratada de maneira negativa", disse David Yoffie, professor na escola de administração de empresas da Universidade Harvard. "O Google está absolutamente certo em estar preocupado, preparado, até mesmo paranóico, e em reagir da maneira devida".
 
Kent Walker, o vice-presidente do Google para assuntos jurídicos, disse que a empresa já esperava que seu sucesso resultasse em maior atenção à maneira pela qual opera. "O objetivo de nossas apresentações não é encantar as pessoas, mas basicamente explicar como funcionam os nossos negócios", disse. "Acreditamos que temos uma história forte a contar".
 
A tarefa de contar essa história terminou atribuída em larga medida a Wagner, 33, um homem de aparência juvenil cuja experiência anterior de trabalho foi como advogado na divisão antitruste do Departamento da Justiça. Ele não hesita em utilizar termos como "esquisito" e "bizarro", acompanhados por um sorriso desajeitado, ao discutir questões jurídicas e econômicas complexas. Ao contrário do que acontecia uma década atrás quando das investigações sobre a Microsoft, cujos executivos mal conseguiam ocultar seu desdém pelas autoridades regulatórias, Wagner fala em tom deferente sobre os seus antigos colegas no Departamento da Justiça.
 
"Eles certamente estão preocupados em fazer o melhor pelos usuários, pelos consumidores", afirma. "Minha empresa também está preocupada em fazer o melhor pelos usuários e consumidores".
 
O trabalho de Wagner não vem sendo fácil. Os slides que utiliza em sua apresentação estão em circulação há tanto tempo que a Consumer Watchdog, uma organização de defesa do consumidor que critica o Google, já postou em seu site uma versão anotada do material, na qual contesta praticamente todas as alegações do Google.
 
Por exemplo, em um slide que menciona elogios de um grupo de pressão a algumas das práticas do Google para proteger a privacidade dos usuários, a organização menciona quatro outros grupos que criticam a empresa pelo volume imenso de informações que recolhe quanto aos consumidores.
 
Wagner, para surpresa de ninguém, contesta essa interpretação do Google como um monopólio inabalável; A empresa obteve a posição de mercado de que desfruta ao oferecer produtos superiores, e poderia perdê-la rapidamente caso deixe de apresentar inovações, ele afirma. E ao contrário de empresas que dominaram eras passadas da computação, o Google facilita para os usuários a substituição de seus serviços pelos de rivais.
 
Um argumento central na posição defendida por Wagner é o de que o Google é uma empresa relativamente pequena operando em um mercado imenso, no qual seus concorrentes não apenas outros serviços de busca ou nem mesmo outros sites. O Google diz que disputa usuários contra sites tão distintos quanto a Amazon.com, webMD e Wikipédia, e verbas publicitárias com veículos como a televisão, rádio, mídia impressa, publicidade de rua e em embalagens de produtos.
 
Gregory Rosston, economista da Universidade Stanford que já assistiu a uma apresentação de Wagner, afirma que outras companhias que enfrentavam dificuldades junto às autoridades antitruste já haviam recorrido sem sucesso ao mesmo tipo de argumento.
 
"Quando empresas tentaram argumentar que a televisão, os jornais e os outdoors são parte do mesmo mercado publicitário que o rádio, por exemplo, o Departamento da Justiça e os tribunais não se deixaram convencer", afirma Rosston. "Isso posto, a internet realmente mudou as coisas, e pode ser que eles consigam defender esse argumento, agora".
 
O fato de que as dificuldades entre o Google e o governo tenham surgido nos últimos meses surpreendeu alguns analistas, porque a empresa e seus executivos são vistos como próximos ao governo do presidente Barack Obama.
 
Eric Schmidt, o presidente-executivo do Google, fez campanha por Obama, foi assessor da equipe de transição presidencial e hoje integra o conselho de consultoria sobre ciência e tecnologia da Casa Branca. Alguns antigos funcionários do Google conseguiram cargos importantes no novo governo.
 
Mas esses relacionamentos não parecem ter ajudado o Google com as autoridades regulatórias, ou ao menos não até agora. No entanto, oferecem nova causa de preocupação para os críticos do Google, que temem que a empresa venha a conquistar influência indevida sobre áreas estratégicas importantes, como a regulamentação da privacidade online.
 
Wagner afirma que alguns dos rivais de sua companhia, a exemplo da Microsoft e da AT&T, são não apenas muito maiores que o Google mas também gastam muito mais dinheiro em lobbies do que é o caso de sua companhia.
 
Embora o setor seja volátil e competitivo, Wagner afirma que se sente gratificado pelo sucesso que o Google conquistou. "Sabemos que há muita gente que utiliza nossos serviços para realizar buscas, e isso nos causa muito orgulho", diz. "Não estamos pedindo caridade".
 
Tradução: Paulo Migliacci ME

quarta-feira, 1 de julho de 2009

8 dicas para se autopromover no trabalho de forma inteligente

Se você pretende ascender em sua carreira profissional, é preciso divulgar seu trabalho. Veja como fazê-lo sem ser chato

A menos que você seja um narcisista, a autopromoção não é um comportamento instintivo. De fato, promover seu trabalho e você pode parecer estranho, como se você estivesse se vendendo.

A autopromoção pode ser particularmente difícil para profissionais de TI porque a maioria foi educada em sistemas nos quais o trabalho deveria falar por eles, de forma que estariam livres dessa tarefa, diz Jim Anderson, consultor de TI. Para um profissional dessa área, divulgar seu trabalho é como colocar os sapatos trocados, acrescenta Curt Rosengren, um coach de carreira que trabalhou na indústria de TI.

Mas a autopromoção é essencial, segundo Peggy Klaus, um especialista em comunicaão e liderança que escreveu um livro sobre o assunto (chamado, em inglês, Brag! The Art of Tooting Your Own Without Blowing It.) "Você precisa fazer com que as pessoas saibam o que está fazendo, o sucesso dos projetos, os obstáculos que superou, para que seja lembrado como uma pessoa importante".

O autor tem um bom argumento: Precisamos contar aos chefes que estamos trabalhando e o que já fizemos. Isso é a autopromoção em sua forma mais básica, e não tem nada a ver com ser chato, mas com fatos. E não devemos nos sentir mal por divulgar fatos.

"Os chefes não são videntes", diz Klaus. "Eles me dizem com freqüência: tenho 70 pessoas para controlar. Não sei o que cada um está fazendo. Precisam me contar".

Precisa de ajuda para aprender como fazer isso? Essas oito técnicas vão ajudá-lo a promover a si mesmo no escritório sem que pareça esnobe. Não é necessário implementar todas. Mesmo se selecionar algumas mais adequadas ao seu ambiente de trabalho será um ótimo começo.

1-    Aproveite as oportunidades
Quantas vezes seu chefe pergunta "como andam as coisas?" As chances, diz Klaus, de você ter respondido "normal, nada de novo", são altas.

"Geralmente, os profissionais estão pouco preparados para responder a essa pergunta e acabam perdendo uma boa oportunidade com o chefe", diz ela.

Ao invés disso, Klaus recomenda aproveitar a oportunidade para dizer que tudo anda muito bem e falar sobre o progresso de seu último projeto ou da conquista de uma meta.

Revisão de desempenho é uma oportunidade de ouro para a autopromoção. Se você se sente pouco confortável em momentos para um "tapinha nas costas", que esse seja durante a revisão de desempenho. Vá preparado com uma lista de metas atingidas, projetos concluídos, desafios superados e feedbacks de alguns pares. Se perder essa chance para se autopromover, provavelmente não merece um aumento ou uma promoção.

2-    Ajude outros enquanto se promove
Essa é uma boa forma de realizar a tarefa facilmente e fazer com que seu chefe saiba que cumpriu os prazos. Ainda mais eficiente que isso é dizer ao seu chefe – e aos seus pares – que está disponível para ajudar quem estiver precisando, diz Jim Anderson, o consultor de TI. Essa técnica é boa porque aproxima pessoas e demonstra seu valor para o chefe.

Da mesma forma, se você tem uma habilidade ou talentos específicos e pretende que as pessoas saibam, as ofereça aos colegas, diz Anderson. Por exemplo, se é bom em Power Point e sabe que alguém precisa fazer uma apresentação, se ofereça para olhar os slides e incluir recursos. A pessoa será grata e tenderá a recomendá-lo a outras.

3-    Fale com energia
O problema com a autopromoção está, muitas vezes, no fato das pessoas não gostarem de falar sobre si mesmas, ainda mais se for de forma positiva. Para resolver essa questão, é bom pensar na autopromoção como o momento para falar sobre seu trabalho e não sobre você. E se você é um entusiasta sobre seu trabalho, a autopromoção se torna muito mais fácil, nota Curt Rosengren, coach de carreira.

"Se estiver falando sobre determinada tecnologia ou projeto sobre os quais está apaixonado, a autopromoção se torna um subproduto", diz ele. A paixão é infecciosa, nota Klaus. "As pessoas são presas por ela. Respondem a ela, e se lembram".

terça-feira, 30 de junho de 2009

Crise é o momento de investir, diz executivo da SAP

São Paulo - Bill McDermott, presidente de operações globais da empresa alemã, diz que é preciso 'usar a crise e arrumar a casa'.

Por Fabiana Monte, editora-assistente do COMPUTERWORLD

Em meio à crise econômica, a melhor estratégia é investir em consolidação e racionalização de recursos. Esta é a opinião de Bill McDermott, presidente de operações globais e membro do comitê executivo da SAP, que esteve no Brasil em visita a clientes e representantes da ASUG (grupo de usuários SAP para a América), na última semana.

Para o executivo, momentos de instabilidade financeira trazem à tona com mais força a cobrança por redução de custos. E a melhor forma de fazer isso, pondera, é consolidar e racionalizar o uso da tecnologia já em uso.

Pelos cálculos de McDermott, consolidar diversas soluções de ERP em um único produto gera um corte de custos da ordem de 50%. E essa economia pode ser revertida e usada em inovação pelas empresas. "As pessoas estão compreendendo que não podem apenas cortar custos para sobreviver. É preciso inovar", avalia.

A análise é de um executivo que começou a trabalhar na SAP em 2002 e, cinco anos depois, passou a acumular os cargos de presidente e CEO para Américas e Ásia-Pacífico/Japão. Desde 2008, McDermott é o presidente de operações globais da companhia alemã.

Sua visão é de que a crise financeira é a hora certa para as empresas olharem para seus processos e sua infraestrutura, identificando o que existe de redundante e de desperdício.  "As empresas que apenas cortarem custos vão falhar", orienta.

O executivo se diz mais otimista em relação aos rumos da economia global a partir do segundo semestre do ano e de 2010, com o mercado de capitais voltando a ganhar força e a liquidez retornando a economias de todo o mundo.

Em relação ao Brasil, McDermott concorda que o País está no foco das atenções de qualquer empresa que tenha operações na América Latina. Em 2008, o faturamento nacional da SAP cresceu 11,4%. "Era óbvio para mim que o Brasil figurava como um dos país mais emergentes do mundo. Mas ele já emergiu. Temos aqui uma grande base de clientes que pensam de forma global", avalia, referindo-se aos 1,9 mil usuários que a companhia tem no País.

Apesar do avanço, a empresa alemã tem de enfrentar o crescimento da brasileira Totvs, que, com a compra da Datasul, detém 39% do mercado de sistemas de gestão no Brasil, de acordo com pesquisa da Fundação Getulio Vargas. A SAP ocupa a segunda posição, com 23%.

McDermott afirma que a diferença entre a oferta da SAP e a da Totvs está na capacidade de atuação global - incluindo adaptações da plataforma em relação a idioma, moeda local e peculiaridades regulatórias de cada país. "Estou confiante de que permanecemos como a número 1. Temos 86 mil clientes em todo o mundo", calcula.

Apesar de citar números da operação global, McDermott garante que, ao defender sua solução, não está pensando sobre estatísticas e a respeito do crescimento da SAP, mas sobre o desenvolvimento dos clientes da companhia. Para ilustrar, ele conta que, durante os encontros com participantes do ASUG no Brasil, discutiu assuntos variados, como consolidação, Business Intelligence, cloud computing, retenção de clientes e expansão de negócios.

Com base na gama de assuntos tratatos nas conversas, ele reforça que somente uma plataforma global é capaz de atender a todos esses aspectos que hoje estão no foco dos clientes. "A Totvs não poderia sequer ter uma das conversas que eu tive", ataca.

E a aposta de McDermott é que a SAP vai experimentar crescimento cada vez maior no Brasil entre pequenas e médias empresas. "Como você pode fazer negócios se não tem uma plataforma que é fácil em relação a idioma e moeda?", exemplifica.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Empresas estão mais exigentes na contratação de líderes

Fonte: http://computerworld.uol.com.br/carreira/2009/06/26/empresas-estao-mais-exigentes-na-contratacao-de-lideres/

Framingham - Para especialistas, organizações procuram analisar perfil dos candidatos e avaliar características pessoais

O presidente da empresa de recrutamento Goodwin Group, Joe Goodwin, aponta que hoje há uma tendência de que as organizações busquem líderes cada vez mais experientes, mas que, de preferência, aceitem salários mais baixos do que os oferecidos no passado. "Existe um monte de gente super competente que perdeu o emprego por conta desse tsunami da economia", afirma o especialista.

Na mesma linha, o diretor de gestão da Stanton Chase International – que também atua com recrutamento de profissionais –, Dean Bare, aponta que as organizações têm sido mais exigentes ao analisar se os executivos apresentam as competências certas ao cargo. "Atualmente, os empregadores estão se perguntando: temos os talentos mais adequados para nos apoiar nos próximos 18 meses?", elenca Bare.

Enquanto muitos candidatos brigam por um número limitado de vagas disponíveis para altos executivos nas organizações, as companhias podem fazer suas escolhas livremente. "E as empresas estão levando mais tempo para tomar decisões", cita Goodwin. Ainda segundo ele, com isso, as companhias têm analisado melhor características pessoais dos candidatos, como o caráter e os valores.

"Uma discussão mais profunda durante a entrevista de emprego, na qual o candidato é estimulado a falar sobre sua experiência de vida tem acontecido com frequência", diz Bare. "Existe um esforço para encontrar profissionais que estejam alinhados com os valores da organização", complementa o especialista. E, de acordo com ele, isso é um sinal de que as empresas aprenderam que um processo de recrutamento de um executivos mal feito pode ter um custo altíssimo no futuro.

Estratégias de avaliação

Tanto as áreas de recursos humanos das organizações quanto as empresas de recrutamento tendem a fazer perguntas pessoais durante uma entrevista de emprego e a colocar os profissionais em situações que testem a interatividade deles com outras pessoas. Entre os exemplos, Bare cita que um recrutador pode pedir que o profissional fale sobre seus pais. "Isso ajuda a mapear valores e ética", afirma o especialista.

Em casos mais extremos, as organizações têm convidado os candidatos para um jantar. Isso permite analisar como ele trata os garçons e interage com os outros participantes do encontro.

Bare ressalta que, da mesma forma que as empresas estão mais preocupadas em analisar o perfil dos profissionais, por outro lado, os candidatos de emprego tendem também a ser mais criteriosos em relação aos possíveis empregadores. "Acredito que as pessoas fazem pesquisas para entender a cultura da companhia", explica o especialista, que acrescenta: "E quando eles olham a corporação, querem ter certeza que estão lidando com pessoas éticas e justas."

Att.
Edney Marcel Imme

Cada R$ 1 mi investido no setor de tecnologia gera 38 empregos

Maceió - Associação entrega ao Governo documento com 7 recomendações para a área de TI no Brasil.

Por Nando Rodrigues, editor-executivo da PCWorld

Cada 1 milhão de reais investido em tecnologias da informação e comunicação gera 38 empregos. Esta é uma das conclusões de uma pesquisa coordenada pela Brasscom (Associação Brasileira das Empresas das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação) entregue nesta quarta-feira (24/06) ao Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge.

"A Brasscom e as empresas perceberam que, mesmo dentro do governo, as iniciativas que atendem TIC não são convergentes. É preciso haver um trabalho coordenado para traçar uma política para que esses investimentos virem realidade", afirma Cassio Tietê, diretor do programa "World Ahead", da Intel, nesta sexta-feira, durante evento em Maceió (AL).

De acordo com Tietê, o objetivo do estudo era levantar as necessidades do País em relação a tecnologias de informação e comunicação e que tipos de investimentos no setor podem auxiliar o Brasil a superar  momentos de crise. O documento traz um conjunto de sete recomendações sobre o setor de TI.

A primeira orientação diz respeito à disseminação de banda larga no País. A pesquisa indica que é preciso promover ações semelhantes à isenção de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para provedores de acesso à Internet em três Estados, anuciada em abril. Este tipo de medida, conclui a análise é uma boa ferramenta para promover a expansão do serviço.

O segundo ponto indicado é a necessidade de concluir e tornar efetivo o projeto UCA (Um Computador por Aluno), que permanece indefinido. Em terceiro lugar a pesquisa orienta sobre a importância de haver uma política clara que coordene o trabalho de lan houses no País, já que 75% das classes D e E só têm acesso à internet por meio desses estabelecimentos.

Na quarta posição está a capacitação de micro e pequenas empresas no que tange à utilização de tecnologias de comunicação e informação, com políticas que incentivem a redução de taxas de uso de software pirata, por exemplo. Em quinto aparece a importância de acelerar a realização de processos regulatórios para ampliar a oferta de banda larga no País, como a licitação das faixas de frequência de 2,5GHz e 3,5GHz. "Só esses leilões têm entre 25 milhões de reais e 35 milhões de reais em ativos", avalia Tietê.

Outra medida apontada pela pesquisa é a regulamentação da lei 11774, parte da Política de Desenvolvimento Produtivo anunciada pelo Governo em 2008. Por último, o estudo diz que o próprio governo precisa ampliar os investimentos em infraestrutura e em serviços de TIC.

A pesquisa, conduzida pela consultoria Booz&Co, é resultado de uma solicitação de empresas como Microsoft, Cisco, IBM, Itautec, Sun, British Telecom e Intel à Brasscom. A análise mostra que o setor de TIC corresponde a 0,5 ponto percentual de crescimento anual do PIB (Produto Interno Bruto). Em 2007, tecnologias de informação e comunicação representaram 7% do PIB.